Felipe Rassi sinaliza que tendências globais em dívida em situação especial, com o termo em inglês aparecendo como “distressed debt” apenas como referência de mercado, ajudam a entender por que o Brasil tem avançado em organização de cessão e cobrança, ainda que com desafios próprios de dado, judicialização e heterogeneidade de carteira. Nesse sentido, a maturidade não se mede por volume isolado, e sim pela capacidade de transformar créditos estressados em ativos administráveis, com governança e previsibilidade.
Na leitura de Felipe Rassi, um mercado amadurece quando cria padrões. Portanto, controles de versão, auditoria por amostragem, critérios de elegibilidade e mecanismos contratuais claros deixam de ser exceção e passam a ser linguagem comum, pois é essa disciplina que sustenta recuperação de ativos em ciclos diferentes de juros.
O que se observa em mercados mais maduros
Em mercados mais maduros, a negociação de carteiras costuma vir acompanhada de padrões de informação, com chaves consistentes, dados auditáveis e regras claras para tratar exceções. Assim, a diligência não é uma caça a documentos, ela é um procedimento para classificar risco. Além disso, mecanismos contratuais testáveis, como prazos de cura e ajustes econômicos, reduzem disputas e mantêm previsibilidade quando a base tem falhas.
Conforme indica Felipe Rassi, esse padrão muda a execução. Logo, o comprador consegue segmentar rapidamente, definir trilhas e evitar que exceções contaminem a carteira inteira. Por conseguinte, maturidade é a capacidade de processar volume sem perder qualidade de prova, pois é isso que reduz custo e ruído.
Sinais de maturidade no Brasil e dados de mercado
No Brasil, há sinais de avanço quando pesquisas e balanços apontam crescimento consistente no volume de cessões. A Deloitte reportou R$ 30,2 bilhões em volume cedido em 2025 e estimou crescimento expressivo para 2026, inclusive com projeção para o primeiro trimestre. Além disso, levantamento da Recovery apontou R$ 34 bilhões de carteiras inadimplentes cedidas em 2025. Nessa perspectiva, o volume sugere um mercado mais ativo e com maior diversidade de participantes.

Segundo Felipe Rassi, o efeito relevante é o aprendizado institucional. Portanto, à medida que o mercado cresce, ele tende a exigir uma base mais consistente, pois os compradores precificam não apenas o atraso, mas também o custo de saneamento e probabilidade de contestação. Logo, a maturidade aparece quando o desconto passa a refletir a qualidade do lastro, e não apenas a percepção de risco.
Desafios estruturais e o papel da governança
Maturidade também é reconhecer limitações. Bases heterogêneas, cadastro frágil e lacunas de titularidade ainda geram ruído e elevam o tempo de execução. Além disso, em ambiente com judicialização relevante, prova e formalização ganham peso, pois incidentes custam tempo e dinheiro. Portanto, governança de dados e processo de cobrança disciplinado continuam sendo diferencial, pois reduzem retrabalho.
De acordo com Felipe Rassi, o mercado amadurece quando trata comunicação como registro, saldo como trilha rastreável e titularidade como sequência demonstrável. Assim, o foco sai de narrativas e entra em critérios, o que melhora a previsibilidade na recuperação de ativos.
Tendência prática para os próximos ciclos
Tendências globais sugerem maior sofisticação em segmentação, adoção de métricas de eficiência e uso de trilhas paralelas para saneamento e cobrança. Assim, operações tendem a valorizar padrões e controles, pois volume sem governança vira custo. Além disso, ciclos de juros podem alterar o ritmo de formação de NPLs, porém a execução continuará dependente da base.
Por fim, Felipe Rassi frisa que a maturidade brasileira tende a ser consolidada quando padrões de informação e mecanismos contratuais testáveis se tornarem regra, e não exceção. Nesse sentido, o avanço não está apenas em crescer volume, está em reduzir ruído e aumentar previsibilidade, pois é isso que sustenta o mercado de créditos estressados ao longo do tempo.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez

