A aproximação entre universidades, centros de pesquisa e comunidades será um dos principais pontos de uma reunião científica que acontece em Campina Grande, na Paraíba, nos dias 27 e 28 de outubro de 2026. O encontro regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) pretende colocar em discussão caminhos para que o conhecimento produzido no Semiárido responda a desafios ambientais e sociais vividos no território.
Com o tema “Bioma Caatinga e Desafios para Reduzir Assimetrias Regionais”, a programação reúne pesquisadores, estudantes, gestores públicos, lideranças comunitárias e representantes de instituições de ensino e pesquisa. A realização é organizada pela Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), duas instituições com atuação acadêmica diretamente ligada à formação e à produção científica no estado.
Ciência conectada às necessidades do Semiárido
Segundo informações divulgadas pelo Instituto Nacional do Semiárido (INSA/MCTI), o encontro também contará com a participação da instituição em debates sobre inovação, biodiversidade, pesquisa científica e popularização do conhecimento. A proposta é ampliar a circulação dessas discussões e aproximá-las de pessoas que convivem diariamente com as condições ambientais, econômicas e sociais do Semiárido.
Essa perspectiva dá ao evento uma dimensão que vai além da apresentação de pesquisas. Ao tratar da Caatinga e das desigualdades regionais em um mesmo espaço, a reunião coloca em foco a necessidade de produzir conhecimento relacionado às características locais. A conservação dos ecossistemas, o uso responsável da biodiversidade e a busca por alternativas de desenvolvimento aparecem como temas associados à capacidade de adaptação das comunidades.
Para estudantes e pesquisadores, a reunião representa uma oportunidade de acompanhar discussões sobre áreas que influenciam a vida na Paraíba. Para gestores e lideranças comunitárias, o encontro pode favorecer o contato com estudos e propostas voltados à realidade do interior nordestino. A presença de diferentes públicos também contribui para que a ciência seja apresentada em linguagem acessível e conectada às demandas sociais.
Inovação e biodiversidade entre os destaques
Entre as atividades previstas está a palestra “Resiliência em Construção: Inovação para um Novo Semiárido”, apresentada pelo INSA na abertura do evento. O título da exposição indica a intenção de discutir respostas inovadoras para um território marcado por desafios próprios, sem separar a busca por soluções tecnológicas da preservação ambiental e da valorização dos conhecimentos produzidos na região.
A programação inclui ainda mesas-redondas sobre a biodiversidade e a memória das comunidades paraibanas. Esses temas permitem relacionar os elementos naturais da Caatinga às experiências, histórias e formas de conhecimento desenvolvidas pelas populações que vivem no bioma. A abordagem também reforça a importância de reconhecer o Semiárido como espaço de produção científica, cultural e social, e não apenas como uma área definida por limitações climáticas.
As discussões sobre bioeconomia estão entre os caminhos possíveis associados à preservação da Caatinga e ao desenvolvimento regional, conforme o enfoque apresentado para o encontro. A ideia é debater como a biodiversidade pode ser valorizada de maneira responsável, com pesquisa e inovação voltadas à geração de alternativas sem comprometer os ecossistemas. O evento também deve abordar como a ciência pode colaborar para reduzir diferenças históricas entre regiões.
Programação aberta à sociedade
De acordo com o INSA, a programação é aberta à sociedade e as inscrições são gratuitas. A iniciativa amplia o acesso às atividades para além do público universitário, permitindo a participação de moradores, professores, estudantes, representantes de organizações e demais interessados nos assuntos relacionados à Caatinga e ao Semiárido.
A realização em Campina Grande reforça o papel do município como ponto de encontro para instituições de ensino, pesquisa e inovação na Paraíba. Ao reunir UEPB, UFCG, INSA e a SBPC em torno de uma agenda comum, o evento cria espaço para discutir como resultados científicos podem contribuir para políticas públicas, ações de conservação e estratégias de convivência com as características do bioma.
O encontro será realizado na terça-feira, 27 de outubro, e na quarta-feira, 28 de outubro de 2026. Ao longo dos dois dias, a expectativa é que os debates contribuam para aproximar pesquisadores e sociedade, valorizando soluções construídas a partir da realidade do Semiárido. Para a Paraíba, a discussão coloca a Caatinga, a biodiversidade e a inovação no centro de uma agenda voltada ao futuro do estado e à redução das assimetrias regionais.

