Como menciona o sócio do escritório Pimentel & Mochi Advogados Associados, Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel, a recuperação judicial costuma ser vista como um processo complexo, mas, na prática, ela segue uma linha do tempo relativamente previsível. Isto posto, compreender esse cronograma ajuda empresários e produtores rurais a reduzirem a insegurança jurídica e a tomarem decisões mais racionais em momentos de crise. Interessado em saber mais sobre? Ao longo deste artigo, veremos como funciona esse percurso, quais são os principais marcos do processo e quais prazos costumam ser observados.
A recuperação judicial começa antes do protocolo do pedido?
Antes mesmo do ajuizamento, a recuperação judicial exige organização interna. Documentos contábeis, relação de credores, demonstrações financeiras e informações operacionais precisam estar alinhadas. De acordo com o Dr. Lucas Gomes Mochi, também sócio do escritório, essa fase prévia não tem prazo legal definido, mas costuma levar algumas semanas ou meses, dependendo da estrutura da empresa ou da atividade rural envolvida.
Na prática, é nesse momento que o empresário avalia se o pedido é realmente o caminho mais adequado. Um produtor rural, por exemplo, precisa analisar safras futuras, contratos de fornecimento e financiamentos. Segundo Rodrigo Pimentel Advogado, essa etapa inicial é decisiva para evitar um pedido precipitado, que pode comprometer a credibilidade do processo logo no início.
O que acontece após o deferimento do pedido de recuperação judicial?
Após o protocolo, o juiz analisa a documentação e, estando tudo regular, defere o processamento da recuperação judicial. Esse despacho costuma ocorrer entre 10 e 30 dias, embora possa variar conforme a complexidade do caso. A partir desse momento, a empresa passa a operar sob um regime jurídico específico.
Conforme expõe o Dr. Lucas Gomes Mochi, com o deferimento, inicia-se o chamado stay period, período de suspensão das ações e execuções contra o devedor. Em termos práticos, isso significa fôlego financeiro para reorganizar o caixa e manter a atividade. Esse intervalo é crucial para preservar contratos, empregos e a produção, especialmente em setores sensíveis como o agronegócio.
Como funciona o stay period na recuperação judicial?
O stay period tem duração legal de 180 dias, podendo ser prorrogado em situações específicas. De acordo com o Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel, durante esse prazo, a empresa continua funcionando, mas sob fiscalização do administrador judicial e do juízo. O objetivo é permitir a elaboração do plano de recuperação judicial sem a pressão imediata de bloqueios ou penhoras.
Na prática, esse período exige disciplina. Uma vez que não se trata de uma “pausa para respirar” sem controle. O empresário precisa usar esse tempo para ajustar custos, renegociar contratos e estruturar um plano viável, sob pena de perder a confiança dos credores.

Quais são as principais fases do plano de recuperação judicial?
Após o deferimento, a lei estabelece o prazo de até 60 dias para apresentação do plano de recuperação judicial. Como ressalta Rodrigo Pimentel Advogado, esse documento detalha como as dívidas serão reorganizadas e como a empresa pretende se manter viável. Tendo isso em vista, a seguir, destacaremos as principais etapas do processo.
- Elaboração do plano: definição de prazos, descontos, formas de pagamento e medidas operacionais, considerando a realidade financeira da empresa ou da produção rural.
- Publicação e objeções: os credores analisam o plano e podem apresentar objeções dentro do prazo legal.
- Assembleia geral de credores: caso haja objeções, é convocada assembleia para discussão e votação do plano.
- Homologação judicial: aprovado o plano, o juiz homologa o acordo, tornando-o obrigatório para as partes.
Essas etapas costumam se desenvolver ao longo de alguns meses. E é importante entender que cada fase tem impacto direto na rotina do negócio.
Recuperação judicial termina com a homologação do plano?
Por fim, embora a homologação seja um marco importante, a recuperação judicial não se encerra nesse momento. Após a aprovação, inicia-se a fase de execução do plano, que pode durar anos, dependendo das condições pactuadas. Pagamentos parcelados, cumprimento de obrigações operacionais e prestação de contas passam a fazer parte da rotina da empresa.
Isto posto, durante esse período, o acompanhamento jurídico permanece essencial. Conforme pontua o Dr. Rodrigo Gonçalves Pimentel, o descumprimento do plano pode levar à convolação em falência, o que reforça a necessidade de gestão responsável após a homologação. Para produtores rurais, isso significa alinhar o fluxo de caixa às safras e aos ciclos produtivos.
Planejamento e previsibilidade ao longo da recuperação judicial
Em conclusão, ao observar o cronograma típico da recuperação judicial, fica claro que cada fase exige preparo e responsabilidade. Desde o pedido inicial até a conclusão, o processo demanda decisões estratégicas, disciplina financeira e diálogo constante com credores e o Judiciário. Dessa forma, para empresários e produtores rurais, conhecer essa linha do tempo é um passo relevante para atravessar períodos de crise com mais segurança jurídica e menor risco ao patrimônio.
Autor: Carye Ulaan

